terça-feira, 25 de junho de 2013

VLT de Cuiabá

Fonte: http://www.24horasnews.com.br/



Um batalhão de profissionais especializados em construção de pontes, inclusive em perfurações de rochas subaquáticas – como é o caso da Líder Fundações, de Goiânia – contratada pelo Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande, para abrir nas pedras do leito do Rio Cuiabá as fendas para encaixe  dos grandes tubos (“tubulões”) das fileiras de pilares que vão sustentar as vigas travessas pré-moldadas da 3ª pista da ponte Júlio Muller, no Porto,  está trabalhando no local.

Como o nível do rio está baixo nesta época do ano, a empresa não vai precisar
recorrer a homens-rãs para o trabalho de abertura das fendas circulares nas pedras. A abertura das fissuras nas rochas e cuja profundidade será de 8 a 10 metros,  será feita por um equipamento a ar comprimido que vai ficar sobre a ponte na superfície do rio. “O nível do rio está baixo, não vamos precisar de mergulhadores” – afirma um trabalhador da obra.   

As milhares de pessoas que passam diariamente pela Júlio Muller, mais conhecida como Ponte Velha, ficam intrigada com aquela parafernália de troncos de eucaliptos que cruza o Cuiabá de um lado a outro, à jusante do rio. O que está sendo feito agora é a construção de uma passarela de madeira na superfície do rio, chamada de “ponte branca”, que vai dar sustentação aos equipamentos que serão utilizados na obra.

A nova ponte está sendo construída do lado esquerdo da Júlio Muller  no sentido Cuiabá-Várzea Grande e a previsão é que a implantação dessa primeira parte do projeto, que inclui a fundação para colocação dos grandes tubos dos pilares, demore entre três e quatro meses. Depois, serão necessários mais quatro meses para conclusão da ponte, que terá 350 metros de comprimento.   

As obras que estão sendo executadas na Ponte Velha incluem  o reforço da pista de rolamento da travessia do rio no sentido Cuiabá-Várzea Grande e ajustes na que passa a ser central e via permanente dos trens do novo modal de transporte de passageiros das duas cidades. Como o VLT precisa de um vão de oito metros de largura, a ciclovia da atual segunda pista, utilizada por pedestres e ciclistas, simplesmente  deixará de existir. 

Desaparece também pelo menos a maior parte do pequeno canteiro, onde a Avenida 15 de Novembro se bifurca, com a pista da direita entrando na ponte e a da esquerda desaguando na Travessa Tufik Afif, na altura do Atacadão e que dá acesso a Avenida Beira-Rio. Parte do atual canteirinho fica no trajeto onde serão implantados os trilhos do VLT.

Do outro lado da Júlio Muller, em Várzea Grande, uma parte da calçada da revenda de carros Gurizão Veículos vai desaparecer para acesso dos veículos procedentes de Várzea Grande através da Avenida da FEB e da Alameda, que margeia o Rio Cuiabá até a rotatória da Estrada Doutor Paraná.  “Vamos perder uma parte da calçada, mas tudo bem, a gente vai dando um  jeito!” – lamenta um empregado da empresa.   

ANTT reúne GT para Trens Regionais no país

Fonte: 

O Conselho Consultivo do Grupo de Trabalho Trens de Passageiros – CCTP criado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT para elaborar diagnósticos e propor ações que possibilitem incrementar a participação do transporte ferroviário de passageiros no Brasil realizou, na quarta-feira (19/06), sua primeira reunião na sede da Agência em Brasília.

O Conselho Consultivo, que é composto de representantes das empresas concessionárias de ferrovias, de entidades de usuários, da indústria, entidades representativas de classe, universidades, diversos ministérios e órgãos públicos, contou com um total de 25 participantes no seu primeiro encontro.
A estratégia para ampliar a utilização da participação do sistema ferroviário no transporte de  passageiros passa pela utilização da malha ferroviária existente e das futuras concessões resultantes das novas ferrovias que serão construídas.

Existem diversos projetos de trens de passageiros em curso no País, nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia e Goiás. Esses projetos chamam a atenção para possibilidade de uso do transporte público de passageiros sobre trilhos.

A ANTT reiniciou o debate nacional sobre esse assunto, por ocasião do seminário “Trens de Passageiros – Uma necessidade que se impõe”, realizado em novembro de 2012.

“Estamos conscientes da necessidade de prover os meios necessários para que o país possa vir a ter, em breve, incrementada esta opção de transportes e é isso que estamos fazendo, por meio da atuação deste Grupo de Trabalho”, declarou o Diretor Geral em exercício da ANTT, Jorge Bastos.
Na reunião de quarta-feira foi informado aos participantes como o Conselho está estruturado, a missão do grupo, as competências necessárias para a missão, a gestão  do conhecimento definida para o grupo, a forma de comunicação que será utilizada entre os membros, um hotsite que será utilizado pelos participantes para envio de materiais, estudos, contribuições e para acessar a agenda e atas de reunião do grupo.
Foi apresentada a estrutura da Plataforma de Informações,  que  em desenvolvimento pelo GT, que pretende armazenar em um só ambiente todas as informações sobre trens de passageiros no Brasil. A iniciativa inclui desde trabalhos já realizados pelas diversas instituições até os que serão  produzidos pelas mesmas, bem como pelo Grupo de Trabalho e pelo Conselho Consultivo.
Essas informações se encontram pulverizadas em diversos órgãos do governo, entidades de classe, universidades e organismos internacionais e, hoje, quando se quer uma informação, não se sabe exatamente onde procurar.
A idéia básica da Plataforma de Informações é se constituir na principal fonte de informação acerca do tema: Trens de Passageiros. “Contamos com o apoio de todos os membros do Conselho Consultivo para este objetivo”, declarou o coordenador do Grupo de Trabalho, José Queiroz de Oliveira – Assessor da Diretoria da ANTT.

Transporte sobre trilhos

Fonte: Valor Econômico

Pelo menos 60 projetos para sistemas de transporte de passageiros sobre trilhos estão em alguma fase de execução no país. Vinte e dois deles devem ser entregues até 2016 e os demais até 2020, atingindo quatro mil quilômetros de malha viária. No total, serão R$ 100 bilhões em investimentos. As obras envolvem metrôs, monotrilhos, Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) e trens regionais.

Depois de quatro décadas de abandono do transporte ferroviário, o país retorna aos trilhos, investindo sobretudo nas malhas urbanas das regiões metropolitanas. Mas o crescimento projetado pode ficar aquém da demanda por esse tipo de transporte. Em 2011, o número de passageiros subiu 21% ante 2010. De 2011 para 2012, a alta foi de 8% chegando aos atuais 9 milhões de passageiros/dia.

"A expectativa é que este ano suba mais 10%, chegando perto de 10 milhões de passageiros. A rede, no entanto, só cresceu 3%", diz Joubert Foer, presidente da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos). "Há uma demanda de lugares muito acima da oferta. Significa que, quando todos esses 60 projetos forem concluídos, o crescimento de passageiros poderá ser maior que a malha. A necessidade de lugares é muito superior à que está sendo oferecida", afirma.

Segundo Foer, "é importantíssimo que os 22 projetos - que têm a ver com a Copa e a Olimpíada - sejam de fato concluídos até a realização desses eventos, deixando uma herança benéfica para o país, como aconteceu nas cidades que sediaram os jogos".

Na avaliação da ANPTrilhos, as grandes metrópoles constroem a rede pública de transporte em malhas estruturantes que se ordenam sobre redes de trilhos e se integram a outros modais, mas no Brasil isso não acontece. "Hoje há umas 60 regiões metropolitanas no Brasil em que caberiam transportes estruturantes, mas só temos 15 sistemas montados sobre trilhos", afirma.

Hoje, o país tem "1.208 quilômetros de malha ferroviária urbana" e transporta 9 milhões de passageiros dia - muito pouco quando se compara a Paris, Londres ou Nova York que transportam, cada uma, 4 milhões. Xangai sozinha, atende 7 milhões por dia.

São Paulo e Rio concentram as principais malhas metroferroviárias do país. Um total de 7,2 milhões de passageiros dia - ou mais de 75% do total do país - é transportado pelos trilhos de São Paulo, somando metrô e trens. "No final de 2014, serão próximos a 9 milhões. Entre 2018 e 2020, com todos os projetos concluídos, estaremos transportando entre 11 e 12 milhões", diz Jurandir Fernandes, secretário estadual dos Transportes Metropolitanos de São Paulo.

A cidade tem hoje 75 quilômetros de metrô e 55,2 quilômetros em construção. São quatro obras que incluem a segunda fase da linha 4, o prolongamento da linha 5 e a implantação dos monotrilhos das linhas 15 e 17. "Esses quatro contratos consumirão R$ 18,7 bilhões", diz o secretário.

Além dessas quatro obras, o governo paulista está com três projetos "na mão e editais na rua", entre eles o monotrilho da linha 18 e a extensão da linha da Paulista. "Vamos entrar 2014 com sete obras de metrô que somam 99,8 quilômetros e significam investimento de R$ 38,6 bilhões", diz.

Simultaneamente às obras e editais do metrô, o governo está modernizando todas as seis linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPPTM), que atendem 22 municípios da Grande São Paulo, somando investimentos de R$ 4,3 bilhões. A malha da CPTM tem hoje 260 quilômetros.

Em outra frente, o governo paulista já iniciou a construção do primeiro trecho do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na Baixada Santista, que terá 17 quilômetros. Segundo o secretário Fernandes, trata-se de uma "obra acelerada" que estará em teste já em julho de 2014. O VLT ligará Santos a São Vicente e custará R$ 1,2 bilhão.

O metrô do Rio de Janeiro, que iniciou sua operação comercial em 1979, aumentou seus investimentos a partir de 2009. "Saímos, há cinco anos, de 450 mil pessoas dia para uma média de 640 mil passageiros, passando de 700 mil em dias especiais", diz Flávio Almada, presidente do MetrôRio. Ao todo, são 36 estações e 49 trens. O aumento foi possível graças a um crescimento de 65% na oferta de lugares, com a compra de 19 trens. Os investimentos se concentram na expansão da linha 4 que terá seis novas estações, ligando Ipanema ao Jardim Oceânico, na Barra. Prevista para 2016, a linha terá 15 quilômetros e transportará mais de 300 mil passageiros, ampliando a oferta.

Outro investimento do MetrôRio é com a acessibilidade. A concessionária investiu, desde julho de 2009, R$ 21 milhões para implantar um programa de adaptação de suas 35 estações aos padrões de acessibilidade.

Em Salvador, a primeira parte da linha 1 do metrô - entre Lapa e Retiro - deve começar a operar no ano que vem, antes do início da Copa do Mundo. O cronograma foi anunciado em maio passado pelos governos municipal e estadual depois de um atraso de 14 anos. A segunda parte da linha 1, até Pirajá, entra em funcionamento até o final do próximo ano. Aí começam as obras da linha 2, que liga a avenida Bonocô a Lauro de Freitas, e que será inaugurada por parte, até 2016. A obra, que será uma parceria público privada, tem orçamento estimado em R$ 4 bilhões. Serão 41,2 quilômetros de linha e 22 estações, que por sua vez estarão integradas a 11 terminais de ônibus.

Trens regionais
Projetos de trens de passageiros intermunicipais também começam a ser estudados em nove Estados. Ao todo são 1,9 mil quilômetros nos chamados "trens regionais" que têm previsão de sair do papel a partir do próximo ano.

Alstom in world

Source: http://www.railway-technology.com/

XTRAPOLIS_AUSTRALIA

Alstom has secured an €85m contract from Public Transport Victoria (PTV) in Australia for the delivery of eight X'trapolis trainsets for Melbourne's suburban train network.
The delivery will bring the total number of Alstom X'Trapolis trains delivered to Victoria between 2002 and 2013 to 82.
Construction of the trains will be carried out at Alstom's manufacturing facility at Ballarat in Australia.
The first of the new six-car trains are scheduled to enter service in 2015 and will allow PTV to offer additional services for the growing Melbourne network and increase the reliability of the entire system.
Alstom's Ballarat manufacturing centre recently delivered seven X'Trapolis trains ordered by the Victoria state government in 2011.
"Construction of the trains will be carried out at Alstom's manufacturing facility at Ballarat in Australia."
Alstom Transport managing director in Australia and New Zealand Bernard Joyce said that the additional trains will benefit commuters of Melbourne and give a boost to local jobs and regional manufacturing.
Capable of operating at speeds of about 130kmph, the X'Trapolis trains can carry over 1,400 passengers.
Every car is equipped with three passenger doors on each side, a customised seating layout along and a digital passenger information system (PIS).
Alstom is currently investing over €6m to upgrade and expand the Ballarat manufacturing site to support the government's aim to create high technology engineering and manufacturing jobs.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Fabricantes de trens urbanos aquecem o mercado

Fonte: Valor Econômico



Os novos projetos de mobilidade urbana baseados nos variados sistemas de transporte sobre trilhos impulsionam um grande volume de negócios no país. Operadores públicos e privados estão fazendo grandes encomendas a oito empresas instaladas no país - Alstom, CAF, TTrans, IAT, Siemens, Iesa, Bombardier e Scomi, da Malásia, representada pelo grupo MPE, segundo Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer). A capacidade total dessas empresas é de 1 mil carros por ano e as encomendas vão de trens de metrô a trens urbanos, monotrilhos e outros equipamentos. De acordo com a ANPTrilhos, o Brasil tem mais de R$ 100 bilhões em projetos metroferroviários, incluindo veículos leves sobre trilhos (VLTs). 

Até 2020, conforme cálculo de Abate, serão mais 3 mil quilômetros de sistemas sobre trilhos, incluindo linhas de trem entre cidades e o trem-bala, entre São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. O número de passageiros transportados diariamente sobre trilhos, hoje de cerca de 7, 7 milhões passageiros, conforme a ANPTrilhos, deve atingir perto de 10 milhões por dia útil em 2015, segundo a Abifer, nível dos anos 1960. "Vamos resgatar o transporte sobre trilhos e todos esses projetos vão demandar equipamentos, sinalização, eletrificação e telecomunicações", diz Abate. Segundo ele, o ritmo de produção vem se acelerando desde 2007. Na década atual, deverão ser produzidos 4 mil carros, ante 1.930 unidades fabricadas na década passada. Para 2013, são previstos entre 350 e 400 carros. 

Os recursos proveem de diversas fontes, como os vários Programas de Aceleração do Crescimento (PACs), orçamentos federal, estadual e municipal e de instituições multilaterais, como o Banco Mundial. No maior mercado, o paulista, a Secretaria de Transportes Metropolitanos está investindo cerca de R$ 45 bilhões até 2015, entre recursos próprios, do Banco Mundial, BID e Banco do Japão, para a criação de 13 novas linhas, aquisição de material rodante, troca de sistema de sinalização, sistemas de energia e reforma da frota operante do Metrô e das linhas de trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). 

Na área de projetos, a Odebrecht Transport elaborou o traçado e estudo de demanda futura da Linha 6-Laranja do metrô paulista, projeto que será executado por uma parceria público-privada (PPP), modelo já adotado na Linha 4-Amarela. 

A volta dos trens regionais, intenção do governo federal e projeto do governo paulista, constituirá outra frente de negócios. O governo de São Paulo aprovou, em novembro de 2012, uma PPP para a construção de quatro linhas de trens expressos regionais, ligando São Paulo a 14 cidades do interior do estado, num total de 431 quilômetros de trilhos. O projeto contará com investimentos de R$ 18,5 bilhões, dos quais R$ 12,5 bilhões por parte da iniciativa privada e R$ 6 bilhões da contrapartida do governo paulista. 

Com velocidade de 160 quilômetros por hora e poucas paradas, os novos trens constituirão uma ligação rápida alternativa ao transporte rodoviário na macrorregião metropolitana de São Paulo. Os trajetos São Paulo-Santos, São Paulo-Jundiaí e São Paulo-Sorocaba serão operados pela CPTM e demandarão cerca de R$ 12 bilhões, boa parte dos quais oriunda da iniciativa privada. A CPTM vai implantar também uma linha com poucas paradas entre a estação Brás do Metrô e o aeroporto de Guarulhos. 

Metrofor - Linha Leste

Fonte: Piniweb

Segundo divulgação da Comissão Central de Concorrências da linha Leste do Metrô de Fortaleza, Ceará, dos cinco concorrentes para a construção do sistema, quatro consórcios foram habilitados para os serviços. As obras da Linha Leste, que terá 12,4 km de extensão, integra o Programa "Mobilidade Grandes Cidades", do Governo Federal, que garantiu recursos da ordem de R$ 2 bilhões o projeto, sendo R$ 1 bilhão do Orçamento Geral da União e R$ 1 bilhão financiados pela Caixa Econômica Federal. O menor preço não poderá ser superior a R$ 2,5 bilhões.

A linha Leste terá as seguintes estações: Sé, Luíza Távora, Colégio Militar, Nunes Valente, Leonardo Mota, Papicu, HGF, Cidade 2.000, Bárbara de Alencar, Centro de Eventos e Edson Queiroz. Além dessas, haverá integração com as linhas Oeste e Sul na estação central Chico da Silva, totalizando doze estações.

Os consórcios Cetenco-Acciona (Cetenco Engenharia e Acciona Infraestructura); Mendes Júnior-Soares da Costa-Isolux (Mendes Júnior Trading  e Engenharia, Sociedade de Construções Soares da Costa S.A do Brasil e Isolux Projetos e Instalações); Consórcio Metrofor (Construtora Andrade Gutierrez, Construtora Norberto Odebrecht Brasil e Serveng Civilsan-Empresas Associadas e Engenharia); e Mobilidade Urbana (Construções e Comércio Camargo Corrêa, Construtora Queiroz Galvão e Construtora Marquise) foram habilitados.


Já o consórcio Construcap-Copasa Linha Leste (Construcap CCPS Engenharia e Comercio e Sociedad Anonima de Obras y Servicios - Copasa) foi declarado inabilitado, mas poderá recorrer da decisão.
Somente após essa etapa será definida a dada de análise das propostas de preços da obra. As tuneladoras estão sendo fabricadas em Xangai, na República Popular da China.

As obras da Linha Leste deverão começar ainda no segundo semestre desse ano.

Monotrilho do ABC

Fonte: Diário do Grande ABC

Innovia Monotrilho 300, modelo que será fornecido para a Linha 15-Prata do metrô, estará na concorrência da PPP (Parceria Público-Privada) que construirá a Linha 18-Bronze, projeto que ligará o Grande ABC ao sistema metroviário de São Paulo.
A convite da Bombardier, fabricante do trem, a equipe do Diário foi a Kingston, no Canadá, para conhecer a planta onde são realizados os últimos testes do monotrilho que conectará a Vila Prudente à Cidade Tiradentes, na Zona Leste da Capital.
A empresa já adiantou que tentará vencer a licitação para fornecimento do sistema do monotrilho do Grande ABC, que passará por São Paulo, São Caetano, Santo André e São Bernardo. E o governo do Estado assegurou que o desempenho do veículo na Capital servirá como critério técnico para definir a empresa responsável por tirar do papel a junção da região com o metrô.
Do consórcio que triunfou no certame da Linha 15-Prata por US$ 1,44 bilhão, Bombardier e Queiroz Galvão afiançaram que encaminharão propostas ao Metrô para atuar na Linha 18-Bronze. Pelo grupo Bombardier/Queiroz Galvão/OAS, as duas últimas ficam com as obras civis, como a construção dos pilares de sustentação do trem.
O modelo Innovia Monotrilho 300 será implementado, a princípio, em São Paulo e na cidade de Riad, na Arábia Saudita. Tecnologias mais antigas da Bombardier já estão presentes nos sistemas metroviários de Tampa Bay, Jacksonville e Las Vegas, nos Estados Unidos.
Além de know-how mundial, a Bombardier garante reposição de peças dos trens emfuncionamento. Para isso, investiu US$ 15 milhões na construção de fábrica em Hortolândia, interior de São Paulo. É lá que já são desenvolvidos os carros utilizados na Linha 15-Prata, com aval dos técnicos da empresa francesa.
DETALHAMENTO
Com estimativa de acolher até 150 passageiros por carro, o Innovia Monotrilho 300 possui sistema de tração elétrica e sustentação por pneus sobre vigas de mais de 60 metros de altura e sem condutor. O principal diferencial, segundo o vice-presidente da Bombardier, Alain Aumais, é a redução de peso e acréscimo de desempenho.
Pesando 14 toneladas por composição, o modelo foi projetado sem preenchimento de espaços ociosos, o que, segundo a empresa, diminuiu em 30% o peso total. O trem, mais leve, pode alcançar 80 km/h, embora a velocidade média de atuação na Linha 15-Prata deva ser de 40 km/h. Além disso, possui sistema de recuperação de energia com frenagens.
A fabricante promete ainda cortar ao máximo a emissão de ruídos. Como o sistema é elevado, há preocupação de poluição sonora perto de residências e prédios. Mas a empresa diz que o som do monotrilho, para quem estiver fora do trem, será de 20 decibéis, equivalente ao sussurro de um humano.
A estrutura interna não é a praticada em sistemas de monotrilho espalhados pelo mundo. Cada carro tem dois motores, um à frente e outro no fim da estrutura, que são acoplados internamente na cabine. Essa metodologia permitiu redução da altura do trem, melhorando a performance nas curvas, pois a força da gravidade também é menor.
Primeiro itinerário do mundo a receber o Innovia Monotrilho 300, da fabricante francesa Bombardier, a Linha 15-Prata tem previsão para entrar em operação no primeiro trimestre do ano que vem, com ligação de duas estações: Vila Prudente e Oratório, ambas na Zona Leste, margeando a Avenida Anhaia Melo, e fazendo conexão direta com a Linha 2-Verde do Metrô.
O trajeto ainda comporta mais 15 estações, passando por São Lucas, Sapopemba, São Mateus, Avenida Jacu-Pêssego e Cidade Tiradentes. A etapa de São Mateus tem previsão de entrega para fim de 2014, com 27 trens disponíveis. Todo o trecho tem estimativa de funcionamento completo em 2016.
Ainda neste ano, o governo do Estado deve colocar em atividade, em fase protocolar, a ligação entre Vila Prudente e Oratório. O período será de testes e adaptação, com horários reduzidos.
A obra vai consumir investimento de US$ 1,44 bilhão, terá 24 quilômetros de extensão e 17 estações no total. Serão também 54 trens disponíveis a partir de 2016, com sistema automático, sem condutor, a exemplo do que está instalado na Linha 4-Amarela.
Há expectativa de atender 48 mil passageiros por hora, com promessa de redução drástica no tempo de viagem. Hoje o percurso de Cidade Tiradentes à Vila Prudente demora mais de duas horas. A Bombardier, com seu Innovia Monotrilho 300, assegura percorrer a mesma distância em 50 minutos.
As vigas de concreto, já colocadas em boa parte da linha, têm 60 metros de altura. As estações também ficarão em superfície. Segundo o governo do Estado, a metodologia permite a agilidade na obra, sem necessidade de desapropriação em massa ou perfuração do solo em larga escala. Em contrapartida, o monotrilho não oferece a mesma capacidade de transportar pessoas que o metrô.
De acordo com cálculos da Bombardier, a adoção de metrô convencional estenderia o projeto para mais de 2020, com previsão de dobrar os gastos.
Veículo é testado no Canadá e fabricado em Hortolândia
Com menos de 20 funcionários na linha de produção, a fábrica da Bombardier em Kingston, no Canadá, é responsável por todos os testes no modelo que será levado à licitação para a Linha 18-Bronze, que acolhe o Grande ABC.
A planta possui quatro pistas, com diferentes nivelações e inclinações, e compartimento para aferição de qualidade e impermeabilidade. Há também sistema de simulação de quebras, para verificar o comportamento do veículo em situações de emergência.
Toda a produção dos trens que estarão na Linha 15-Prata fica em Hortolândia, cidade próxima a Campinas. São 250 funcionários que atuam num espaço que demandou investimento de US$ 15 milhões da empresa.
A Bombardier afirmou estar munida para repor peças danificadas. Parte dos produtos será disponibilizada por fornecedores.
Amortecimento permite ir em pé, mesmo em curvas acentuadas
Em Kingston, a equipe do Diário andou no modelo de testes do Innovia Monotrilho 300. Numa área de 5.900 quilômetros quadrados, onde está instalada a planta de projeções da Bombardier, o monotrilho que pode chegar ao Grande ABC fez o percurso de ida e volta na pista por dez vezes, durante 20 minutos.
Ainda sem todos os acabamentos do carro – até porque equipamentos de testes estão à disposição dos funcionários, o que não estará aos passageiros –, o trem alcançou a marca de 78 km/h na reta e, em curva, chegou a 67,5 km/h. O sistema de suspensão permite que o passageiro consiga acompanhar a viagem em pé, sem sequer segurar em hastes de proteção, inclusive na curva.
Na parte interna há pouco espaço, em comparação ao metrô paulistano. Mas o monotrilho da Linha 15-Prata adotará a mesma fórmula da Linha 4-Amarela, em que a transposição de composições pode ocorrer internamente.
O barulho dos motores também incomoda, porém, a fabricante garantiu que o ruído será minimizado com sistema a ser instalado com o carro completo.
Responsável pela obra civil, a Queiroz Galvão disse que adotou sistema diferenciado na junção das vigas, o que deixará imperceptível a transição para quem utilizar o veículo.