Passados cinco anos desde que foi
anunciado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto do
trem de alta velocidade segue no papel. Seus custos, não.
Por meio da Lei de Acesso a Informações,
o Valor perguntou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)
quanto já foi gasto pelo governo até agora com o projeto do trem-bala,
planejado para ligar Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas.
Segundo a agência, foram sacados R$ 29,1
milhões dos cofres da União para bancar a ideia. O desembolso, de
acordo com a ANTT, foi utilizado para “a realização dos estudos de
viabilidade que embasaram a concepção da modelagem econômico-financeira e
de concessão, a elaboração de editais de concessão, a execução de
estudos preliminares para avaliação do impacto ambiental do
empreendimento, trabalhos de consultoria técnica e de apoio jurídico”. A
cifra também embute a realização de audiências públicas.
A agência informou que o montante não
inclui os custos relativos ao pessoal da equipe responsável pelo
projeto, mas não informou que repasse seria esse.
O fato é que, depois de cinco anos e R$
30 milhões desembolsados, o projeto retornou, praticamente, à estaca
zero. O governo argumenta que continua a se basear nas premissas dos
estudos já realizados.
A modelagem do trem-bala, no entanto,
foi radicalmente alterada e hoje está distante do que se previa
originalmente, com o propósito de dissolver dúvidas básicas e provar a
viabilidade do negócio.
O governo passou os últimos anos
pressionado pelos potenciais interessados no empreendimento, que
questionavam o preço final do trem e a demanda de passageiros. O
resultado dessa equação foram três tentativas frustradas de licitar a
obra.
Agora, a expectativa do governo é lançar
o novo edital para a operação do trem-bala até o fim deste ano. As
propostas comerciais deverão ser entregues pelas empresas até o dia 30
de abril de 2013.
A licitação está prevista para maio do
ano que vem. O governo também está contratando consultorias para fazer o
desenho da engenharia da obra. Numa segunda etapa, será licitada a
construção da linha, o que está previsto para 2014.
O início de operação de alguns trechos é
almejado para 2018. Pelo novo modelo que está em elaboração, agora
serão os próprios empreendedores que terão de dizer qual será o custo
final da obra.
Fonte: Valor Econômico, Por André Borges
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